Ensaio sobre o amor

Às vezes ficamos tão absortos em nossa própria tristeza que fechamos nossos olhos para as maravilhas ao nosso redor. Por tanto tempo pedi ajuda e supliquei por sinais, alguém que me desse a mão por minha caminhada e afagasse meus cabelos durante es tempestades, mas não fui capaz de olhar ao meu redor e procurá-lo.

Às vezes, olhava pela janela do meu quarto, para dentro de mim, e via uma floresta devastada, sem luz e sem vida. A chuva acompanhava o ritmo das minhas lágrimas, aumentando de intensidade, pouco a pouco, derrubando árvores, arrastando pessoas e blocos de concreto para fora de minha vida, e destruindo tudo que eu havia construído até então. É tão difícil lembrar nesses momentos, que a mesma chuva que devasta tem o poder de reconstruir. E o que mais pode reconstruir uma alma além do amor? Essa palavra, que tantas vezes é mal interpretada pela sociedade, que carrega tantos significados intelectuais e espirituais é banalizada pelo uso sem critério e sem conhecimento. Falo por mim mesma. Quantas vezes não saí, com tristeza em meu coração e amor em meus lábios, quantas vezes não disse “eu te amo” sem senti-lo no fundo de minha alma? Fui errada, decidi pela companhia, com medo de estar só.

E sabia eu que eu nunca estive e nem jamais estarei? Escolhi não danificar os sentimentos alheios, e danifiquei os meus. Pisei em minha personalidade, tropecei em minhas dúvidas e caí de cara no chão frio da cozinha.

Quando não se acredita mais em si mesma, a única saída possível é olhar-se pelo espelho do olhar do outro. E assim, encontrei, no olho d´agua doce, um olhar que não apenas me refletia, mas me puxava do abismo psíquico que me encontrava direto para a superfície.

Luz.

A agua, que antes devastava sem piedade a paisagem ao meu redor, agora se tornara um rio pacífico, que rodeava flores e novas árvores em crescimento e desaguava em um mar imponente que tomava o lugar do que foram minhas lágrimas. O mato crescia sobre as árvores derrubadas, criando novas paisagens e esculturas. Flores de todas as cores e tamanhos salpicavam a nova paisagem, brincando com as elevações do terreno e dançando ao sabor do vento, que trazia novos cheiros e sabores, despenteava meus cabelos, e me abraçava de forma maternal. O sol beijava suavemente as folhas recém nascidas, e um arco íris me trazia as boas novas. Coelhos, beija-flores e caracóis brincavam por entre as folhagens, me fazendo rir pela primeira vez em muito tempo.

Pombas brancas surgiram da imensidão azul para cumprimentar-me pelo retorno, afagando meus cabelos e dançando ao meu redor. O céu estava limpo e pacífico. Tudo está em paz, afinal.

Encontrei, naquela paisagem, um lar. Um motivo para sair de mim mesma e aproveitar a floresta, o mar, o rio, o vento, o arco íris e o céu, e principalmente, a mim mesma.

Luto.

Texto escrito no final de março de 2012.

Essa noite sonhei com você. Sonhei com nós dois.

Sonhei com a vista da sua janela, o canto de rouxinóis do ninho da árvore em frente á sua casa. No cômodo iluminado apenas por raios de sol tímidos e invernais, estávamos nos dois, discutindo nosso futuro, promissor e brilhante: “Nós vamos ser riiicos” eu falava em tom de gozação, você por sua vez respondia: “não imagino como posso ser mais rico do que isso”. E rolávamos de tanto rir de uma piada que ninguém contou.

Acordei com a sensação da realidade escorrendo por meu rosto.  Isso aconteceu há quanto tempo? Dois, três anos? Tentei desesperadamente encontrar em mim aquela garota com ares de menina, de coração endurecido pela vida que há tanto deixei para trás. E principalmente tentei encontrar em você aquele menino de sorriso puro e sem certeza nem concepções inflexíveis, o garoto que com apenas um toque, forçava-me a abrir meu campo de ideias para tantas outras novas realidades que eu nem sabia que existiam.  Eu sabia muito bem quem era ele, sabia que seu dia a dia com seu pai era difícil, sabia que apesar de todas as brigas, ele estava sempre presente para sua irmã. Sua mãe era seu exemplo, e sabia exatamente quais aspectos mudar para ser uma versão melhorada dela. Era presente, paciente, carinhoso, companheiro e claro em suas atitudes.

Pior do que ficar longe de você, é ficar longe dele. Não vê-lo mais em seus olhares, não ouvir suas frases desconexas, ideias de utopia e risada descompassada. O cheiro de loção de barba misturada com cloro ainda é uma de minhas melhores lembranças.

Dou milhares de voltas em mim mesma, enrosco pensamentos com lembranças, junto palavras ditas em contextos desconexos, e pequenas ações tomam proporções descomunais. Tudo isso para buscar um novo sentido para a situação, além daquele que me recuso a aceitar e admitir.

Nós morremos diversas vezes em nossas vidas. Muitos de nossos EUs tem que partir e dar lugar á uma personalidade nova, que combine com nossos valores e planos de vida. Alguns morrem mais, outros nem tanto. Hoje descobri que sofremos muito mais por amor do que devíamos, do mesmo modo que sofremos demais pela morte, quando o que devemos fazer é ter nosso período de luto, respeitar nossos sentimentos, mas permitir que a pessoa vá com tranquilidade, e respeitar nosso desejo de seguir em frente também.

Pela primeira vez sei que não me dei o período de luto pela sua morte, pela morte do que tínhamos. Por isso escrevo este último texto em sua homenagem, como uma maneira de limpar minhas dores, anseios e frustrações.

Obrigada por tudo, e vá em paz!

Nostalgia

texto escrito em agosto de 2012.

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Hoje estava lembrando minha Infância. Tempos bons em que caixas de sapatos se tornavam imensos castelos, com a decoração de lápis de cor e fósforos cortados, onde princesas e príncipes dançavam ao som da valsa até o amanhecer.
Com o tempo, os contos de fada desaparecem de nossas vidas e dão lugar á uma trama de obrigações e responsabilidades. Somos forçados a esquecer de nossos sonhos infantis e “acordar para a vida” rumo ao “caminho certo”. Esquecemo-nos da alegria que era conseguir fazer uma gigante bola de sabão, dançar ao lado da fogueira de são João ou correr ridiculamente e se jogar na grama, pelo puro prazer de sentir nosso coração acelerado.

Quando crescemos, aprendemos que o “coração acelerado” é sinônimo de doença, e começamos a ter medo de tudo: germes, viroses, mosquitos, grama, água, micose, joelho ralado, infecção, comida estragada, fumaça e ar seco. Nos tornamos escravos da preguiça e paramos de acreditar na natureza.
E nossos sonhos para o futuro? Desistimos de nos tornar bombeiros, artistas plásticos, pilotos de avião, e rumamos para o “caminho dos adultos”, com profissões que nunca tínhamos ouvido falar antes. Esquecemos de quanto queríamos fazer bem para os outros e para o mundo, nos acostumamos com a sensação de sobrevivência, e deixamos de lado a vida de fato.

A pior parte é que muitas vezes nem nos damos conta do que estamos fazendo, ou quando questionados sobre isso, preferimos não pensar a respeito. Acabamos desgostando de quem nos incentiva a pensar profundamente em nossos desejos e criamos assuntos tabus.

A parte mais difícil é aprender a reverter essa situação. Uma grande amiga minha uma vez me disse para conversarmos constantemente com nossa criança interior, e perguntarmos o que ela realmente quer. Na época, me lembro de não entender tão bem, mas hoje posso dizer que foi o melhor conselho que alguém já me deu.

Passei tanto tempo da minha vida tentando fazer o certo aos olhos de outros, e muitas vezes esqueci quem sou e o que quero.  Não gosto de vinagre,  não importa o quanto faz bem para saúde. Odeio sentar em cadeiras, gosto muito mais do chão.  Quero uma casa na árvore, e subir em pés de amora para depois comer tudo com a mão, limpando ocasionalmente no tronco. Quero bolhas de sabão gigantes, e depois tomar banho de mangueira. quero conhecer a história de mendigos, sentar com eles no chão e discutir por horas filosofia e religião.

Adoro princesas, mas só em contos de fada. Para a vida, eu escolho ser a camponesa .

Sonzinho

Para descontrair, ou para quem busca inspiração para escrever.
Gosto de Gipsy Kings, me julguem. :)

30/12/12

O texto abaixo eu escrevi em uma viagem de carro em valinhos, final de 2012. Está incompleto (foram só quinze minutos gente!)

A vida é um looping, os ciclos vão e vem como estações. Eu sou uma eterna apreciadora de pequenos momentos, tanto que as vezes sinto que vejo a vida como expectadora, e , ao contrário do que as pessoas dizem, esses são os momentos que me sinto mais feliz.
Não existe nada comparado aos raios de sol beijando timidamente as flores na minha janela, ou o vento penteando meus cabelos, me tomando em seus braços, mornos e acalentadores. O som das pessoas ao meu redor se tornam apenas uma trilha sonora, e essas sensações são o propósito da minha vida. As palavras e momentos são secundários, e minhas ações são respostas automáticas do meu corpo aos estímulos da natureza.
A tranquilidade e paz tomam conta do meu corpo, relaxando cada um de meus músculos, já acostumados com a preocupação e estresse do dia a dia. Respiro fundo, absorvendo todo o cheiro de orvalho e deixando-o preencher meus pulmões. Fecho os olhos para me concentrar no meu corpo, e nas suas reações e sensações.
Porque as vezes nos concentramos tanto nos pensamentos e deixamos de lado nosso corpo? Não sabemos o toque das águas do rio gelado em contato com nossa pele morna de sol, ou o cheiro do vento de chuva.
Os seres humanos pensam muito! Como pretendem ser felizes tão distantes de sua natureza?

Nada vai mudar.. Eu prometo

Texto escrito em março do ano passado

Entre beijos desesperados de despedida e lágrimas de alívio e dor, surge uma promessa para tentar acalentar os corações, atordoados e anestesiados:
-Nada vai mudar entre nós, o amor continua! Somos abençoados, e isso nos torna diferentes.

Por meses a promessa foi a fina linha entre a dor e a loucura, a luz no fim do túnel, o fio que ligava tão claramente o passado ao futuro. Por mais que os dois soubessem a mentira que essa frase continha, continuamos nos fingindo de bobos, e acreditando que algum dia as coisas iriam mudar magicamente.

É mentira! o problema é você e é também o relacionamento. É a falta de responsabilidade e comprometimento, é a falta de cuidado com as pequenas coisas que demonstram o real amor entre duas pessoas. O problema é a visão de que todos são inferiores, que a razão necessariamente está em um dos lados. Quem tem razão afinal? A garota que lutou com unhas e dentes (mais do que o necessário) pelo relacionamento, ou o relapso descuidado (que sim, a amou) mas não foi capaz de enfrentar uma responsabilidade real em sua vida?

Não existe razão nessa história, existem duas crianças, que envolvidas na época errada, não souberam lidar com o grande presente que lhes foi dado.

Tudo mudou. a vida mudou, os amigos mudaram, e os objetivos, ah, os objetivos. A personalidade não é a mesma, (isso muda alguma coisa?)e esse cenário transformou por completo o relacionamento que tínhamos. Não posso mais te contar as coisas, por mais que eu queira (eu quero?) e mesmo se contasse, você também não entenderia.

A pergunta é: isso muda o que eu sinto? o que nós sentimos? o que podemos ter? Isso nos torna mais aptos, ou isso nos afasta ainda mais?

A resposta é… eu não quero saber. Nem certeza sobre meus sentimentos eu tenho mais. Duvido do seu caráter, de suas verdades e declarações. E a pessoa que, durante tanto tempo, foi meu porto seguro, hoje não conheço mais, e por suas atitudes, nem sei se quero conhecer.

Duvidar é o mais doído. Não dá para lutar, nem abandonar a batalha. A perspectiva de cair em um abismo independentemente da decisão tomada me paralisa, e fico me amargurando para tomar uma decisão mais ajuizada.

Não sei ficar sozinha. Desde pequena a saudade de algo que nunca tive sempre me consumiu, e não de algo que perdi, como qualquer ser humano. E fico vagando pela vida, procurando o príncipe de cavalo branco que vai me arrebatar com um beijo e me trazer á superfície da vida. Excesso de viadagem, é o que eu acho.

Você era esse príncipe, aquele que começa a história como bandido, que ninguém dá muita atenção, e acaba se tornando   o sonho de todos que assistem o filme. O problema é que ninguém avisa as princesas que é impossível mudar alguém. Provavelmente, depois do “felizes para sempre” o príncipe se torna um imbecil sem coração e magoa a protagonista, que se divorcia e fica se sentindo na merda, porque acreditou que o que eles tinham era diferente.

Acredite em mim, nunca é.

O Quebra Cabeças

Texto escrito em julho do ano passado

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Esse ano minha vida se desconstruiu. Ao olhar o chão cheio de peças de passados distantes e outros nem tanto, não consegui acreditar na quantidade de situações que uma vida pode conter. Quanta porcaria!

Em um sentimento nostálgico, minha primeira reação foi tentar agrupar tudo aquilo que me pertenceu, em prantos. Tentei, em meio a lágrimas e soluços pouco contidos, colocar todas as peças onde elas um dia pertenceram. Não sabia mais a ordem.

O que fazer com todas aquelas memórias? Minha vida jazia em pedaços à minha frente, e eu não sabia o que fazer com ela. Não quis mais olhar. Já que eu não podia fazer nada com aquilo no momento, escondi as peças em baixo do tapete.

Vez ou outra tropeçava em uma peça mal encoberta que me lembrava minha confusão mental, mas, no geral, nem percebia sua presença. Um dia, durante um encontro em minha casa, o cheiro pútrido que parecia sair do tapete foi reconhecido, e não demorou muito até ele ser arrancado, expondo os fragmentos de minha vida, já lascados e requerendo cuidado. Em uma atitude de puro amor, eu vi cada uma de minhas amigas recolhendo as peças, uma a uma, polindo-as  com carinho e separando em um canto da sala. O amor ainda foi suficiente para deixar as memórias desagrupadas, permitindo-me reconstruir minha vida segundo meus próprios desejos.

O que elas não perceberam foi que ao partir deixaram blocos delas próprias, que coloquei como alicerces na construção de meu novo “ser”. Pouco a pouco os fragmentos criaram sentido para mim, e memórias que se tornaram apenas sombras em minha vida antiga, mostraram-se fundamentais na descoberta de minha real personalidade.

Hoje sei que meu quebra-cabeça jamais estará completo, e que vivemos eternamente agregando novas peças e pessoas em nossas vidas. O que nunca vai mudar são os blocos de cimento, deixados como lembranças do amor de pessoas especiais por nós, e que nos ajudam a seguir em frente caso todas as outras peças desmoronem.

Pistantrofobia

Acho que o primeiro post de um blog deve sempre ser alguma explicação de propósito.

Alguns blogs são para debater ideias, outros para desenvolver tendências, e esse é simplesmente uma necessidade de transbordar o que eu há tanto tempo guardava á sete chaves: meus textos.

Desde que me conheço por gente, sempre gostei de escrever. As vezes não conseguia lidar com tantos pensamentos ao mesmo tempo, e colocar no papel sempre me fazia sentir melhor, o que acabou tornando meu caderno o meu melhor amigo.

Sempre mantive todos os textos protegidos da luz, imaginando que uma vez expostos, eu estaria nua na multidão, meus pensamentos mais obscuros, meus desejos mais profundos seriam decifrados, e sobre mim nada mais restaria para descoberta. A rejeição e o julgamento seriam inevitáveis. Ao mesmo tempo o desejo de sentir-me livre das amarras do julgamento tem se manifestado dentro de mim, um desejo que se tornou tão alto e insuportável que decidi criar esse blog.

Acho que com o amadurecimento, o medo de me sentir nua foi se dissipando em névoa, e apesar do blog ainda ser anônimo, os leitores desse blog poderiam dizer, que mesmo não conhecendo o rosto por trás do teclado, conhecem minha alma, da forma mais real do que a maioria das pessoas que realmente me conhecem.

Muitas vezes vou postar aqui textos inacabados, já que parece que eu sempre tive uma dificuldade incrível para finalizar um texto depois que o momento de reflexão passa. Quem quiser postar nos comentários opções de fechamento de texto, eu adoraria dicas!

O nome?

Pistanthrophobia é a fobia de confiar em pessoas, e me pareceu um nome bastante apropriado para esse blog, já que nunca mostrei os textos aqui publicados para quase ninguém (2 pessoas para ser exata) por falta de confiança. Como esse domínio já estava registrado no wordpress, decidi abrasileirar o nome e pronto! Pistantrofobia.

Sejam bem vindos.

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